Ronco e apnéia - saiba qual a relação do sono com a disfunção da ATM

Você dorme bem? 

Para quem respondeu que sim, sugerimos pensar melhor no seu dia a dia. Vamos te ajudar: você acorda diversas vezes durante a noite para ir ao banheiro? Sente cansaço e sonolência durante o dia? Tem dificuldades de concentração e vive esquecendo coisas simples? Você se irrita com muita facilidade? 

Se a sua resposta foi sim para alguma destas perguntas, então talvez seu sono não esteja tão bom quando você pensava!

O sono é uma das necessidades essenciais para manter a saúde física e psicoemocional do ser humano. É durante o sono que acontece a restauração física que nos protege do desgaste natural causado durante as horas que passamos acordados.

A sonolência excessiva é um estado de necessidade fisiológica que tem relação com o tempo que a pessoa demora para conseguir dormir, com a facilidade de interrupção do sono e com a duração completa do sono durante a noite. Relatada por 10% a 25% da população, a sonolência é mais frequente entre adultos jovens e idosos

Esta queixa está associada à grande parte dos distúrbios do sono e, quando é persistente, pode até apresentar risco de morte nos casos mais graves. Mas, quando diagnosticada, pode ser tratada ou, pelo menos minimizada. Além da sonolência diurna, os distúrbios do sono estão freqüentemente associados com alterações cognitivas, de humor, de imunidade e de funcionamento cardiovascular.

Dentre os principais distúrbios do sono, estão o ronco, apnéia e bruxismo.

 


Ronco e apnéia do sono

Estudos comprovam que cerca de 30% dos adultos sejam roncadores frequentes. O ronco eventual traz constrangimento, e deve ser tratado. Quando ele se torna freqüente e forte, principalmente após pequenas paradas respiratórias, é um sinal de alerta. Um paciente com estes sintomas pode ter a chamada apnéia do sono.

A síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS) afeta 9% da população masculina entre os 30 e os 60 anos, e 4% da feminina após a menopausa. Ela é considerada um problema de saúde pública, sendo uma doença crônica, progressiva, incapacitante, além de apresentar uma alta taxa de mortalidade e morbidade cardiovascular.

A apnéia obstrutiva do sono é uma síndrome caracterizada pelo colapso repetitivo das estruturas que impedem e ou reduzem a passagem do ar durante o sono. Isso causa uma queda na saturação de oxigênio do sangue, resultando em uma série de sinais e sintomas nestes pacientes. 

Para diagnosticar a apnéia do sono, deve ser realizado um exame de polissonografia, também usado para quantificar a severidade do distúrbio. Além do ronco, da sonolência diária e da fadiga recorrente, outros sintomas como distúrbio de concentração, irritabilidade, comprometimento da memória e depressão podem aparecer com o progresso da doença, levando a problemas sociais e no desempenho das funções diárias. 

A compressão da via aérea pode originar problemas cardíacos e pulmonares, além de doenças neurológicas. Consequências sistêmicas da SAOS incluem hipertensão, arritmias cardíacas, hipertensão pulmonar, disfunção ventricular, derrame, podendo até levar o paciente à morte.

Para tratar a apnéia do sono, medidas simples e conservadoras podem ser eficazes, como o não consumo de bebidas alcoólicas e de certas drogas, a adequada posição do corpo e a perda de massa gorda, já que obesidade e alcoolismo são fatores de risco para a doença.

Os aparelhos intra-orais de avanço mandibular são uma modalidade de tratamento não invasiva e reversível, que vêm sendo utilizados com sucesso no tratamento do ronco primário, da resistência da via aérea superior e no controle da apnéia do sono leve. Outro tratamento pouco invasivo é a pressão positiva na via aérea, feito com um aparelho que gera e direciona um fluxo contínuo de ar através de um tubo flexível até uma máscara nasal, que deve ser firmemente aderida à face do pacientes durante a noite. 

Já a cirurgia ortognática é indicada para os casos de SAOS mais graves, quando a via aérea do paciente é muito estreita para o desempenho de uma respiração normal. O procedimento cirúrgico possibilita a desobstrução do espaço aéreo na faringe, permitindo a respiração normal saudável, especialmente no período noturno durante o sono.

Para saber mais sobre a apnéia do sono, acesse a tese de Doutorado do Dr. Paulo Afonso Cunali, publicada em 2009.
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