Oclusão e DTM

Oclusão e DTM
(extraído do "Termo do I Consenso em DTM e Dor Orofacial / São Paulo, 2010)

É consenso entre pesquisadores e clínicos especializados em Dor Orofacial que a oclusão dentária não mais pode ser considerada fator primário na etiologia da DTM (Magnusson et al., 1994, Selligman & Pullinger, 2000; Egermark et al., 2003; McNamara & Trüp, 1997;Mohlin et al., 1997). Alguns fatores de relacionamento oclusal são citados como predisponentes das DTM, entretanto, estudos demonstram que a correção destes fatores em indivíduos sintomáticos tem pouca eficácia no controle da DTM (Egermark et al., 2005; Koh & Robinson, 2004; Wadhwa et al., 1993).

A prática da Odontologia Baseada em Evidência (OBE) não ampara a prescrição de técnicas que promovem mudanças oclusais complexas e irreversíveis como o ajuste oclusal por desgaste seletivo, terapia ortodôntica, cirurgia ortognática ou técnicas de reabilitação oral protética no tratamento da Disfunção Temporomandibular (Koh & Rodinson, 2004).

Essa constatação cientifica, no entanto, não diminui a importância da oclusão na prática da Odontologia. As patologias oclusais trazem conseqüências relevantes para o aparelho mastigatório no aspecto estético e funcional. O cirurgião dentista deve dedicar especial atenção à oclusão quando realizar exame físico ou quando executar qualquer procedimento clínico.

Com relação às cirurgias de ATM, é possível afirmar que são necessárias em alguns poucos casos específicos, tais como anquilose, fraturas e determinados distúrbios congênitos ou de desenvolvimento. Excepcionalmente são aplicáveis para complementar o tratamento em transtornos internos da ATM (Leeuw, 2010; American Association of Oral and Maxillofacial Surgerons, 1992).